sábado, 13 de junho de 2009

Ensaio Sobre a Cegueira (Blindness)

Ontem loquei um DVD que há tempos eu vinha planejando ver, mas sempre protelava esta decisão (rs), o filme em questão é Blindness cujo título por aqui saiu como Ensaio sobre a cegueira, assim como no livro que serviu de inspiração, assisti o filme de início com algumas ressalvas pois sempre acho complicadas essas transposições dos livros para telona, mas tive uma grata surpresa, estou escrevendo agora esta pequena resenha antes de ler nenhuma crítica a respeito para que minha opinião não seja influenciada, não sou crítico de cinema tampouco profundo conhecedor desta arte, mas sou um amante de cinema o que torna este texto uma visão pessoal minha ou uma indicação para amigos, sem maiores ambições. Vamos ao filme em si que é baseado na obra do brilhante Jose Saramago, Ensaio sobre a cegueira teve direção do também talentoso Fernando Meirelles (Cidade de Deus, Jardineiro Fiel) e contou com a atuação de nomes de peso como Julianne Moore, Danny Glover, Gael Garcia Bernal, Mark Ruffalo e Alice Braga entre outros. Tudo começa com um cidadão num semáforo que se abre e mesmo assim ele permanece parado, tal fato ocorre devido o motorista ter sido acometido de uma cegueira repentina, algumas pessoas lhe auxiliam, mas um dos transeuntes se prontifica a levá-lo em casa, só que este cidadão não tinha as melhores intenções e rouba o carro da vítima depois de deixá-la em casa, o drama todo começa aí, pois a doença é contagiosa e logo após o contato direto a pessoa também fica cega, inclusive o medico oftalmologista que consultou a 1ª vítima, o que ele notou e que a cegueira não é comum e sim um outro tipo em que se vê apenas uma superfície branca, leitosa, daí o nome cegueira branca, outro estranho fato e que a mulher do médico não se contamina apesar do contato com seu marido. Logo são noticiados na TV e no rádio outros casos semelhantes, que causam o maior caos no trânsito, e o Governo resolve agir a sua maneira colocando todos os infectados em quarentena, mas em lugar precário e totalmente aquém das necessidades de um ser humano, a esposa do médico (Juliane Moore) prefere acompanhá-lo e mente que também esta cega, sendo todos levados para o local da quarentena, um drama se anuncia, pois a comida é racionada e a cada dia chegam mais doentes e a sua saída do local é proibida e supervisionada por soldados armados que não hesitam em atirar naqueles que não obedeçem as ordens.
Para completar a situação caótica eles não têm contato com o mundo externo e como são muitos se dividem em grupos, só que o líder de um desses grupos mostra seu lado mais sombrio e resolve piorar ainda mais a situação dizendo que a comida será recolhida por eles e se os outros grupos quiserem comer terão que pagar, mas pagar com o quê? É o que se pergunta, no trecho seguinte uma mostra clara do preconceito, enquanto eram conduzidos de volta aos quartos de mãos dadas para não se perder, um deles fala: - Eu não vou me submeter às ordens desse negro, no entanto cego ele não tinha como saber se o homem era realmente negro, sendo que na realidade o que estava conduzindo-o era negro e claro ficou ofendido com tamanha ignorância, em troca da comida na primeira vez entregaram todos os bens que podiam ter: jóias, aparelhos eletrônicos, entre outras coisas, mas tudo piora quando sabendo que já não podem pagar pela comida o líder do grupo rebelde proclama que as mulheres serviriam como forma de pagamento, a partir daqui as cenas são chocantes e mostram o instinto mais primitivo do ser humano em ação, o de sobrevivência, já não há regras nem moral pouco menos ética, as mulheres seguem em fila sabendo o que as espera, são humilhadas e sujeitas aos desejos sádicos do grupo ensandecido, uma delas e espancada até a morte. Vários fatos acontecem no desenrolar desta história até a saída de todos do lugar que fora incendiado numa tentativa desesperada de libertação, quando saem percebem que já não há mais guardas, foram todos abandonados a mercê da sorte, um pequeno grupo liderado pela mulher do médico se forma e saem à procura de um lugar seguro, a visão de Saramago do Caos Social é bem demonstrada aqui por Meirelles, um lugar imundo, pessoas famintas perambulando pelas ruas, em uma das cenas cães devoram um corpo inerte em uma escadaria, (cenas fortes e marcantes, pessoas de estômago fraco não se sentirão muito bem) mas a idéia e essa mesmo mostrar a fragilidade do ser humano frente às intempéries do mundo, num lugar onde o caos reina a única coisa que nos resta é o instinto de sobrevivência, mas por incrível que pareça alguns se sentiram confortáveis nesta situação pois só quando todos foram acometidos do mesmo mal é que perceberam que eram todos iguais sem nenhum tipo de distinção.
Na igreja todos os santos com vendas nos olhos, uma alusão ao abandono de qualquer crença (aqui com certeza uma pitada do ceticismo de Saramago) é neste mundo caótico que os personagens terão que sobreviver, o final traz um fio de esperança ou talvez não, depende da sua “visão” dos acontecimentos, o que fica é a pergunta: Será necessário que todos fiquemos cegos para aprender a enxergar novamente? O que posso dizer é que entendi um pouco mais sobre a natureza humana lendo o livro e depois assistindo esse filme, que apesar de não ter a mesma complexidade do texto, consegue ser relevante, e se o próprio autor aprovou resta-nos ver com bons olhos esta obra cuja mensagem é dura e direta, um verdadeiro tapa na cara de nossa sociedade medíocre e estereotipada, o prêmio Nobel de literatura é pouco, José Saramago é genial e Fernando Meirelles fez por merecer a honra de mostrar essa preciosidade ao grande público.

Um comentário:

claudia disse...

gostei muito da sua resenha e é realmente como esta relatado no filme q os seres humanos se tornam diante de situações desesperadoras...obrigada pela oportunidade.bj

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